UNITAID

04/Dezembro/2009

Reconhecimento

03/12/09
Brasil lança campanha “Muito Obrigado” da Unitaid e pede que mais países apoiem a iniciativa

Programa inovador fornece tratamentos a países de baixa renda

O Brasil lança oficialmente, nesta quinta-feira, em Brasília, a campanha global da UNITAID “Muito Obrigado”. A iniciativa visa retribuir a mobilização de 29 países que tornaram possível tratamento de milhares de pessoas afetadas pela aids, malária e tuberculose no mundo. O evento terá a participação do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, do Ministro Interino das Relações Exteriores, Embaixador Ruy Nogueira, do representante da OPAS no Brasil, Dr. Diego Victoria, da diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Mariângela Simão e do médico sanitarista brasileiro Jorge Bermudez, secretário-executivo da UNITAID.

“Em apenas três anos, os fundos da UNITAID possibilitaram o acesso a 12 milhões de tratamentos em 93 países, salvando milhões de vidas”, disse Temporão. Pioneiro no acesso universal a medicamentos, o Brasil é, junto com a França, fundador original da Unitaid – agência internacional de compra de medicamentos para AIDS, Tuberculose e Malária em países em desenvolvimento. “Por meio desta campanha, queremos encorajar outros países da América Latina e do mundo a apoiar o grande trabalho da UNITAID em favor da ampliação do acesso a medicamentos”, completa o ministro.

Em três anos, a UNITAID investiu US$ 1 bilhão no aumento do acesso a tratamentos. Isso afetou de forma significativa o mercado farmacêutico dos países em desenvolvimento, promovendo a competição e a redução dos preços de produtos que salvam vidas. “Estamos orgulhosos de estarmos à frente desta iniciativa inovadora. O trabalho da UNITAID complementa esforços de saúde global, por meio do fornecimento de novos fundos e de fazer os mercados trabalharem melhor para essas pessoas”, disse Mariângela Simão.

A UNITAID trata mais de 200 mil crianças que vivem com o vírus da Aids, o que representa 70% de todas as crianças tratadas no mundo. Distribuiu 8 milhões de tratamentos mais eficazes de malária – a terapia combinada à base de artemisinina – e forneceu 20 milhões de mosquiteiros (comprovado método de prevenção da malária) a países onde a doença é endêmica. A UNITAID também é um grande doador global na luta contra a tuberculose, inclusive contra as versões mais mortais da doença, com mais de US$ 200 milhões investidos em testes e tratamentos em 72 países.

O trabalho da UNITAID ajuda a desenvolver formulações médicas necessárias nos países em desenvolvimento e que não são prioritárias na agenda de pesquisa das indústrias farmacêuticas ou nos programas desses países, como a dose fixa combinada de medicamentos pediátricos contra HIV/Aids. Os objetivos da UNITAID são reduzir os preços dos medicamentos e apoiar o desenvolvimento das combinações necessárias, por meio de um modelo alternativo para a gestão da propriedade intelectual, como o pool de patentes.

“Esta será uma poderosa ferramenta para a saúde pública”, disse Jorge Bermudez, secretário-executivo da UNITAID. “Outros fornecedores de medicamentos ao mundo em desenvolvimento e governos nacionais também podem integrar esse grande pool de produtos disponíveis a preço mais baixo. A dura realidade de crianças morrendo de causas relacionadas ao HIV em países pobres pode ser algo do passado.”

Financiada com recursos provenientes de uma taxa solidária cobrada em bilhetes aéreos em 12 países, o que representa 70% de seu orçamento, e de contribuições de longo prazo de governos, a UNITAID, por meio da campanha “Muito Obrigado”, agradece aos passageiros aéreos e aos contribuintes dos países que participam da mobilização, incluindo o Brasil.

A campanha será veiculada na mídia nacional e internacional, na internet, em cinemas, nos aviões e aeroportos dos países que ajudaram a concretizar essa iniciativa. Os materiais são baseados na história de pessoas beneficiadas pela UNITAID em três países. Os filmes mostram crianças em um orfanato no Camboja que têm acesso a tratamentos de HIV/Aids financiados pela UNITAID; um pai que está em tratamento contra a tuberculose no Nepal e uma família da Zâmbia que, até recentemente, vivia sob o medo de surtos recorrentes de malária.

Histórico – A UNITAID foi criada para fornecer fundos adicionais à luta já existente para combater HIV/Aids, malária e tuberculose. Seu financiamento vem da contribuição solidária cobrada em bilhetes aéreos e de contribuições plurianuais de governos. Por meio de parceiros que implementam suas atividades, a UNITAID usa seus fundos para a compra de insumos de prevenção, testes e medicamentos de qualidade garantida para assegurar entrega rápida aos pacientes em países em desenvolvimento.

Criada em setembro de 2006, a UNITAID é dirigida por um conselho que conta com a representação dos governos de Brasil, Chile, Coréia do Sul, França, Noruega e Reino Unido, além da Fundação Bill e Melinda Gates e de organizações da sociedade civil e de comunidades afetadas por essas enfermidades. Hoje, é apoiada financeiramente por 29 países e pela Fundação Bill e Melinda Gates. A iniciativa está hospedada na sede da Organização Mundial de Saúde, em Genebra. A UNITAID foi criada no contexto da campanha internacional contra a fome e a pobreza, liderada pelo Presidente Lula e pelo então Presidente da França, Jacques Chirac. Diante do impacto das doenças infecciosas no desenvolvimento dos países de menor renda, a UNITAID focou sua ação no reforço da atenção global para o tratamento da Aids, da tuberculose e da malária. A medida contribuiu para estabelecer como nichos de intervenção os mercados farmacêuticos de doses fixas combinadas para a terapia contra a malária, novas drogas para o combate a formas mais resistentes de tuberculose e antirretrovirais de segunda linha e pediátricos

O lançamento da campanha “Muito Obrigado” ocorrerá no Auditório Emílio Ribas, no Ministério da Saúde, às 10h00, de 3 de dezembro (quinta-feira).

Mais informações:
UNITAID: Daniela Bagozzi, Tel: +41 22 791 45 44; Celular: +41 79 475 54 90; Email: bagozzid@who.int
Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais – Assessoria de Imprensa
Telefone: (61) 3306 7033, 3306 7051, 3306 7010
E-mail: imprensa@aids.gov.br –
Sites: www.aids.gov.br;

http://unitaid.eu;

www.unitaid.eu/thankyou


UnAids lança site Aidsspace.org

28/Novembro/2009

UnAids lança site Aidsspace.org para aumentar rede social em torno do HIV
25/11/09
Criado a partir de ferramentas semelhantes às utilizadas nos sites Twitter e LinkedIn e dos sites de relacionamento Facebook e Orkut, o www.Aidsspace.org chegou com o propósito de se tornar uma comunidade online que conecta pessoas, compartilha conhecimentos e acessa serviços sobre HIV pelo mundo. O objetivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), idealizador do projeto, é fazer com que as 33,4 milhões de pessoas vivendo com HIV e mais milhões de outras façam parte da resposta à epidemia à partir desses intercâmbios. A iniciativa foi lançada hoje junto com os dados do Relatório sobre a Epidemia Global de Aids 2009.

Com informações em inglês, o site é voltado para o público especializado (profissionais de saúde, pesquisadores, estudantes, representantes da sociedade civil e dos setores público e privado) e para a população em geral. Nele é possível trocar mensagens com outros membros do site, fazer novos contatos, participar de salas de discussões, desenvolver comunidades e divulgar experiências, projetos e eventos.

Na biblioteca, o usuário pode consultar e baixar documentos como relatórios técnicos, guias, manuais e recomendações produzidas mundialmente nas áreas de prevenção, tratamento, monitoramento, direitos humanos, mobilização social, entre outros. O site também permite adicionar novos documentos, assim como encontrar ou postar vagas de estágio e emprego, compartilhando conhecimentos e estratégias com a rede. No campo “Newsroom”, podem ser lidas notícias mais atualizadas da imprensa internacional sobre a epidemia.

O princípio para fortalecimento da resposta, segundo o próprio site, é simples. Se milhões de pessoas podem conectar e se juntar a outras redes de relacionamento populares como Facebook e MySpace para compartilhar conteúdos e classificar o que está acontecendo mundialmente sobre o HIV, a Aids terá uma comunidade própria desenvolvida. Assim, os resultados serão maximizados, a informação será difundida e multiplicada de maneira gratuita, espontânea e informal.

Informações da Agência Aids.


O Mapa da Aids no Brasil

28/Novembro/2009

O mapa da aids no Brasil
26/11/09
Em queda nos grandes centros urbanos, epidemia cresce no interior do país.
De 1997 a 2007, a taxa de incidência cresce em municípios com menos de 50 mil habitantes

Os grandes centros urbanos do país – onde estão concentrados 52% dos casos de aids – registraram queda de 15% na taxa de incidência da doença entre 1997 e 2007. Nesse mesmo período, a incidência nos municípios com menos de 50 mil habitantes dobrou, revelando que a epidemia caminhou para o interior do país. Em 1997, a taxa nas cidades com menos de 50 mil habitantes era cerca de oito vezes menor do que a registrada nas cidades com mais de 500 mil pessoas. Em 2007, essa relação caiu para três vezes.

A análise foi realizada pelo Ministério da Saúde, que elaborou um panorama detalhado dos casos de aids nos 4.867 municípios brasileiros onde já foi notificada, pelo menos, uma ocorrência da doença. O perfil da epidemia está no Boletim Epidemiológico Aids/DST 2009, a ser divulgado nesta quinta-feira, 26 de novembro.

Em municípios com mais de 500 mil pessoas, houve decréscimo da taxa de incidência, entre 1997 e 2007, de 32,3 para 27,4 notificações por 100 mil habitantes. Ao longo desses dez anos, 24 dos 39 municípios com mais de 500 mil habitantes registraram queda significativa na taxa incidência ou se mantiveram estáveis. Como essas 39 cidades são responsáveis por 283.191 casos de aids (52% do total de casos acumulados), mudanças ocorridas ali têm impacto maior para a conformação da epidemia.

No mesmo período, a taxa nas cidades com menos de 50 mil habitantes passou de 4,4 ocorrências em 1997 para 8,2 em 2007. O conjunto das 4.982 cidades com menos de 50 mil habitantes (90% dos municípios brasileiros) concentram 34% da população e 15,4% dos casos de aids identificados no país, em 2007.

“O mapa permite conhecer as diversas epidemias existentes no país e fornecer aos gestores locais os instrumentos para que eles possam adequar as respostas à sua realidade”, afirma a diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Mariângela Simão.

Municípios de médio e grande porte – Dos 100 municípios com mais de 50 mil habitantes que apresentam maior taxa de incidência de aids, os 20 primeiros da lista estão no Sul. A primeira colocada é Porto Alegre (RS) com taxa de incidência de 111,5 por 100 mil habitantes, seguida por Camboriú (SC) com 91,3.

A tendência de crescimento de aids nas cidades menores e queda nas maiores confirma-se nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. Mas, Norte e Nordeste apresentam um perfil diferente. Ocorre aumento da taxa de incidência, quando se compara 1997 com 2007, tanto em municípios grandes quanto em pequenos.

“Os dados justificam a necessidade de contínuo investimento em ações descentralizadas, respeitando as especificidades de cada local, sem perder o foco de que a epidemia, no Brasil, é concentrada”, destaca Mariângela Simão.

Dados gerais – De 1980 a junho de 2009*, foram registrados 544.846 casos de aids no Brasil. Durante esse período, 217.091 mortes ocorreram em decorrência da doença. Por ano, são notificados entre 33 mil e 35 mil novos casos de aids. Em relação ao HIV, a estimativa é de que existam 630 mil pessoas infectadas no país.

Dos casos de aids acumulados de 1980 até junho de 2009, a região Sudeste é a que tem o maior percentual (59,3%) do total de notificações, com 323.069 registros da doença. O Sul concentra 19,2% dos casos, com 104.671 notificações; Nordeste (11,9%), com 64.706; Centro-Oeste, (5,7%), com 31.011; e Norte (3,9%), com 21.389. Dos 5.564 municípios brasileiros, 87,5% (4.867) registram, pelo menos, um caso da doença. A distribuição percentual de casos de aids por região de residência em 2007, quando comparada à distribuição da população brasileira no mesmo ano, apresenta um quadro interessante, principalmente para as regiões Nordeste e Sul: 28% da população brasileira residia no Nordeste em 2007, enquanto que somente 17% dos casos de aids foram identificados nessa região, no mesmo ano. O oposto ocorre no Sul, onde se concentrava 15% da população e 24% dos casos foram identificados. Nas demais regiões, a proporção de casos se assemelha à distribuição populacional.

Sexo e faixa etária – A razão de sexo (número de casos em homens dividido por número de casos em mulheres) no Brasil diminuiu consideravelmente do início da epidemia para os dias atuais. Em 1986, a razão era de 15 casos de aids em homens para cada caso em mulheres. A partir de 2003, a razão de sexo estabilizou-se. Para cada 15 casos em homens, existem 10 em mulheres.

Chama atenção a análise da razão de sexo em jovens de 13 a 19 anos. Nessa faixa etária, o número de casos de aids é maior entre as meninas. A inversão vem desde 1998, com 8 casos em meninos para cada 10 casos em meninas.

Entre homens, a taxa de incidência em 2007 foi de 22 notificações por 100 mil habitantes e nas mulheres de 13,9.

Em ambos os sexos, as maiores taxas de incidência se encontram na faixa etária de 25 a 49 anos. A taxa apresenta tendência de crescimento a partir dos 40 anos em homens e dos 30 em mulheres, comparando-se 1997 e 2007.

Formas de transmissão – De forma geral, no segmento de homens que fazem sexo com homens (HSH), ocorre uma tendência de estabilização na proporção de casos. A média é de 28% da proporção de casos registrados entre os homens, a partir de 2000.

Entre jovens gays na faixa etária de 13 a 24 anos também houve aumento na proporção de registros – passou de 29,0%, em 1997, para 43,2%, em 2007.

Dentre as estratégias de enfrentamento à aids, a política de redução de danos brasileira tem conseguido alcançar resultados significativos. A transmissão por drogas injetáveis apresentou uma acentuada queda no número de casos da doença, tanto em homens quanto em mulheres. Entre eles caiu de 22,6%, em 1997, para 7,4%, em 2007. Nas mulheres, a queda foi ainda maior: de 10,2%, em 1997, para 2,6%, em 2007.

Em 2007, entre adultos do sexo masculino, na categoria de exposição sexual, há maior transmissão entre heterossexuais (45,1%). Na categoria sanguínea, a transmissão é maior entre usuários de drogas injetáveis (UDI – 7,4%). Em mulheres, o predomínio da forma de transmissão é heterossexual em toda a série histórica. Em 1997, a infecção por meio do sexo desprotegido era responsável por 88,7% dos casos. Em 2007, esse percentual alcançou 96,9%.

Mortalidade – O coeficiente de mortalidade vem-se mantendo estável no país, a partir de 2000, em torno de 6 óbitos por 100 mil habitantes. Nos últimos oito anos, as mortes por aids em homens caem e em mulheres mantêm-se estáveis. Em 2000, foram registrados 3,7 óbitos por aids em cada 100 mil mulheres. Em 2008, o coeficiente foi de 4,1. Em homens, há diminuição de óbitos a partir de 1998 (de 9,6 registros por 100 mil habitantes, em 1998, para 8,1, em 2008*).

Transmissão vertical – O Brasil reduziu em 41,7% a incidência de casos de aids em crianças menores de cinco anos de idade. O coeficiente de mortalidade também caiu cerca de 70,0% (em 1997, o coeficiente de mortalidade era de 2,0 por 100 mil habitantes, caindo para 0,6, em 2007). A queda na taxa de transmissão da mãe para o bebê é resultado dos cuidados no pré-natal e pós-parto. A taxa de incidência de aids nessa faixa etária é utilizada para monitorar rotineiramente a transmissão vertical do HIV, pois praticamente representa o total de casos (93,9% das notificações). De 1984 a junho de 2009 foram identificados 13.036 casos de aids em menores de cinco anos.

Sífilis congênita – De 1998 a junho de 2009, foram notificados 55.124 casos de sífilis congênita (transmitida da mãe para o bebê) em menores de um ano de idade no Brasil. São registrados, em média, 5 mil casos da doença a cada ano. A estimativa do Ministério da Saúde, contudo, é de que ocorram 12 mil notificações anualmente. Dos casos registrados em 2008, 39% (2.150) foram no Sudeste, 33,9% (1.872) no Nordeste, 13,4% (739) no Norte, 7,3% (403) no Sul e 6,3% (342) no Centro-Oeste. Em relação ao número de mortes em consequência da sífilis congênita, em 10 anos o país registrou 976 óbitos.

A partir de 2005, os casos de sífilis em gestantes também passaram a ser registrados. Do início da notificação até 2008, foram identificados 19.608 casos de mulheres grávidas com sífilis, sendo 6.955 só no ano passado – a estimativa é de que se contabilizem cerca de 48 mil mulheres grávidas com sífilis anualmente. Com o objetivo de diminuir a subnotificação de casos de sífilis tanto em mulheres quanto em bebês, estados e municípios pactuaram com a gestão federal a melhoria da qualidade da informação sobre a doença, na Programação das Ações de Vigilância em Saúde (PAVS), em 2007.

Para reduzir as taxas de transmissão vertical do HIV e da sífilis, o Ministério da Saúde lançou, em 2007, o Plano Nacional de Redução da Transmissão Vertical do HIV e da Sífilis. O documento traz metas para redução dessas taxas até 2011. A intenção é aumentar o número de testes de sífilis realizados em gestantes de 2,1 milhões para 4,8 milhões. No caso dos testes anti-HIV, o quantitativo passará de 1,4 milhão para 2,3 milhões.

Do ponto de vista da saúde pública, o principal desafio no combate à sífilis é a transmissão vertical. Durante a gravidez, a doença pode provocar aborto e morte do feto. Já sua manifestação congênita acarreta malformações ósseas, surdez, cegueira e problemas neurológicos, entre outros, para a criança. No caso do HIV, a transmissão vertical pode ocorrer durante a gravidez, no parto e nos primeiros meses de vida do bebê, por meio da amamentação.

Os exames para detectar a sífilis e o HIV estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). As chances de transmissão vertical de sífilis congênita podem ser eliminadas e a infecção por HIV pode cair para 1%, se adotadas medidas adequadas de prevenção e tratamento.

*dados preliminares

Confira outros dados do Boletim Epidemiológico PDF [426 KB]

Evolução da taxa de incidência dos 39 municípios com mais de 500 mil habitantes entre 1997 e 2007 PDF [12 KB]

Atendimento à imprensa
Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais
(61) 3306 7051/ 7033/ 7010/ 7016/ 9221-2546
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E-mail: imprensa@aids.gov.br
Atendimento ao cidadão
0800 61 1997 e (61) 3315 2425


Dia Mundial de Luta Contra a Aids 2009

28/Novembro/2009

“Viver com aids é possível. Com preconceito não”

Dia Mundial de Luta contra a Aids 2009


Criminalização da Transmissão sexual do HIV

28/Novembro/2009

Assunto: Nota técnica sobre a criminalização da transmissão sexual do HIV
1. O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais vem a público manifestar a
preocupação de que a criminalização da transmissão sexual do HIV constitua um retrocesso na
política brasileira de enfrentamento da epidemia da aids, podendo contribuir para o aumento do
estigma e preconceito.
2. O Programa das Nações Unidas para HIV/Aids (UNAIDS) posicionou-se por meio de
documento em que afirma que “não existem dados que demonstrem que a aplicação
generalizada da lei criminal à transmissão do HIV sirva para se fazer justiça ou para prevenir a
transmissão1. O Brasil ratifica a posição do UNAIDS.
3. O UNAIDS afirmou, no relatório sobre a epidemia mundial de aids, de 20092, que as
novas infecções pelo HIV reduziram 17% nos últimos oito anos. Os esforços empreendidos pelo
acesso universal à prevenção, tratamento, atenção e apoio relacionados ao vírus da aids estão
tirando a resposta à epidemia do isolamento. Desde 2001, ano que foi assinada a Declaração de
Compromisso das Nações Unidas sobre HIV/Aids, o número de novas infecções na África Subsaariana
diminuiu cerca de 15%, o que representa aproximadamente 400 mil infecções a menos
em 2008. Na Ásia oriental, as novas infecções pelo HIV diminuíram quase 25% e na Ásia
meridional e sub-oriental 10% durante o mesmo período.
4. No Brasil, estima-se que 630 mil pessoas vivam hoje com HIV. Destes, cerca de 250
mil não conhecem seu status sorológico. Diversas ações no Sistema Único de Saúde estão sendo
desenvolvidas para ampliação do acesso ao diagnóstico da infecção pelo HIV.
5. A presença do vírus da aids no organismo é detectável com a realização de testes para o
HIV, disponíveis no Sistema Único de Saúde. Inegavelmente, houve um aprimoramento na
sensibilidade destes testes, contudo, deve-se considerar a existência da ‘janela imunológica’
(intervalo entre a infecção e a detecção de anticorpos anti-HIV no sangue) que, pode estender-se
por mais de trinta dias, período esse sendo esse período de alto risco de transmissibilidade.
6. Até o início de 1990, o diagnóstico para aids era considerado uma sentença de morte.
Com a introdução da terapia antirretroviral de alta potência (TARV), aliada ao diagnóstico
precoce e ao tratamento adequado, a aids tornou-se uma doença tratável e com características de
cronicidade3. Atualmente cerca de 200 mil pessoas estão em uso de terapia anti-retroviral no
1Criminalization of HIV Transmission. Policy Brief, 2008.

http://data.unaids.org/pub/BaseDocument/2008/20080731_jc1513_policy_criminalization_en.pdf.

2 Situação da Epidemia da Aids, 2009. http://www.unaids.org
3 Recomendações para terapia Antirretroviral em Adultos Infectados pelo HIV,2008. Ministério da Saúde,
Brasil.
país. Estudo recentemente realizado no Brasil4 demonstra que o tempo de sobrevida de
pacientes diagnosticados com aids vem apresentando um aumento substantivo.
7. As pessoas em uso de TARV têm o risco geral de transmissão do HIV reduzido em
92%. Estudo realizado no período de um ano demonstrou que o risco de um indivíduo em
tratamento transmitir o HIV, em relações heterossexuais, é de 0,46 para cada 100 pessoas e, na
ausência de tratamento, é de 5,64, no mesmo período5.
8. No âmbito da política brasileira, ações de assistência e prevenção são integradas, e
sendo a promoção ao uso do preservativo um dos métodos mais eficazes para a prevenção da
transmissão do HIV, constitui importante recomendação do Ministério da Saúde para a adoção
de práticas sexuais mais seguras. Para ampliar o acesso ao preservativo, o governo brasileiro
tem distribuído cerca de 500 milhões de unidades por ano.
9. Segundo pesquisa do Ministério da Saúde, 77% da população brasileira entre 15 e 64
anos é sexualmente ativa. Destas, 96% sabem que o preservativo é o método mais seguro para a
prevenção ao HIV. Entretanto, somente 20,6% fizeram uso regular do preservativo em todas as
relações sexuais, nos últimos 12 meses.
10. O Ministério da Saúde tem trabalhado no desenvolvimento de novas estratégias de
intervenção, focadas na co-responsabilidade, na orientação e aconselhamento em saúde sexual e
reprodutiva do casal, que visam não somente a prevenção da transmissão do HIV, mas também,
a prevenção de outras doenças sexualmente transmissíveis6.
11. Apesar dos avanços científicos e da ampliação do acesso à informação, prevenção,
diagnóstico e tratamento, e do fato de todas as pessoas sexualmente ativas estarem
potencialmente expostas ao HIV, independentemente de sexo, cor, orientação sexual ou
profissão, a persistência do estigma e discriminação em relação às pessoas que vivem com HIV
constitui sério obstáculo ao enfrentamento da epidemia.
12. Em 1996, a ONU adotou as “Diretrizes Internacionais sobre HIV/aids e Direitos
Humanos”7 (E/CN.4/1997/37) e afirmou que “o respeito aos direitos humanos exige que as
pessoas que vivem com HIV/aids não estejam submetidas a penalização ou outras medidas
coercitivas, unicamente com base em seu status sorológico”.
13. O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, fundamentado nos princípios do
sigilo, da confidencialidade e dos direitos humanos, entende que processos que envolvam a
criminalização da transmissão sexual do HIV podem desencadear decisões e entendimentos
generalizados, comprometendo a resposta à epidemia.
Brasília, 27 de novembro de 2009.
Mariângela Batista Galvão Simão
Diretora
4 Guibu IA, Barros MBA, Cordeiro MRD et al. Estudo de Sobrevida de Pacientes de Aids no Brasil, Fase I -
1998-1999 – Região Sul e Sudeste. In Boletim Epidemiológico DST/AIDS, ano V, no 01 – 27ª à 52ª
semanas epidemiológicas – julho a dezembro de 2007 e 01ª à 26ª semanas epidemiológicas – janeiro a
junho de 2008. Ministério da Saúde. SVS. PN DST- AIDS. ISSN 1517 1159.
5 Attia S, Eggera M, Müller M et al., 2009. Sexual transmission of HIV according to viral load and
antiretroviral therapy: systematic review and meta-analysis. AIDS, 23 (11): 1397-1404.
6 Ministério da Saúde. Prevenção Posithiva. Brasília, 2007.
7 International Guidelines on HIV/AIDS and Human Rights, 2006. Consolidated Version.

http://data.unaids.org/Publications/IRC-pub07/jc1252-internguidelines_en.pdf


26/11/09 Acesse abaixo as tabelas com os dados nacionais mais atualizados da epidemia de aids e de sífilis congênita:

27/Novembro/2009

Infecções por Aids diminuiu 17% desde 2000, diz ONU

25/Novembro/2009

Número de novas infecções por Aids diminuiu 17% desde 2000, diz ONU

Ana Carolina Dani
De Paris para a BBC Brasil

No total, 2,8 milhões de pessoas contraíram o vírus em 2008

O número de novos infectados pelo vírus da Aids no mundo diminuiu 17% entre 2000 e 2008, segundo o relatório anual da Unaids, agência das Nações Unidas para o combate à Aids, publicado nesta terça-feira em Genebra, Suíça, em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

De acordo com o relatório, a diminuição no número de novos casos da doença se deve, principalmente, à prevenção.

A agência da ONU ainda aponta o Brasil como um exemplo na implementação de políticas de prevenção à Aids.

“A América Latina oferece exemplos fortes de liderança na prevenção ao vírus HIV. Em particular, o Brasil, que vem sendo apontado por ter implementado cedo medidas de prevenção ao vírus HIV que ajudaram a atenuar a gravidade da epidemia no país”, diz o documento divulgado nesta terça-feira.

No total, 2,8 milhões de pessoas contraíram o vírus HIV no ano passado, sendo 1,9 milhão na África subsaariana, região mais afetada do planeta.

A menor progressão foi registrada na região da Oceania, com 3 mil novos casos.

Longevidade

Apesar disso, a quantidade de pessoas portadoras do vírus HIV continua crescendo. Em 2008, 33,4 milhões de pessoas viviam com a doença em todo o mundo, contra 29 milhões em 2001.

A Unaids explica que o aumento no número de pessoas infectadas se deve aos novos casos, mas também à eficiência dos tratamentos antirretrovirais, “que têm permitido uma maior longevidade dos doentes”.

Segundo a agência, nos países de baixa renda ou em desenvolvimento, entre eles o Brasil, os dados também indicam que o maior acesso ao tratamento tem contribuído para aumentar a longevidade dos infectados.

“No Brasil, que tem disponibilizado tratamento gratuito desde 1996, a sobrevida depois do primeiro diagnóstico da doença passou, no Estado de São Paulo, de quatro meses, entre 1992 e 1995, para 50 meses, entre 1998 e 2001”, diz o relatório.

Ainda segundo os dados da Unaids e da OMS, desde o início da epidemia de Aids, 60 milhões de pessoas já foram infectadas pelo vírus em todo o mundo, e 25 milhões morreram em decorrência da doença.

A maior incidência continua sendo na África subsaariana, onde 22,4 milhões de pessoas são portadoras do vírus HIV. Na América Latina, o número de portadores é de 2 milhões.