NOCAUTE NA POBREZA


Nocaute na pobreza

Boxeador Acelino Freitas, o Popó, fala de suas conquistas financeiras e de sua relação com o dinheiro

Por Larissa Leiros Baroni

Na maioria das vezes é preciso vencer muitos “rounds” para comprar um carro, investir na casa própria e conquistar a tão sonhada estabilidade financeira. Seja por nocaute ou por pontos acumulados, conquistar estes objetivos exige muita dedicação em longo prazo, algo que não é fácil. É preciso enfrentar muitos adversários, alguns tombos e até encarar algumas derrotas. Nem mesmo um dos maiores boxeadores do Brasil, Acelino Freitas, mais conhecido como Popó, conseguiu vencer as adversidades sem que fosse preciso lutar muito para realizar seus sonhos.

Popó nasceu em uma família pobre e viveu durante toda a infância e adolescência em um bairro da periferia da capital baiana, Cidade Nova. Hoje, o boxeador coleciona 37 vitórias, sendo 32 por nocaute, além do título de tetracampeão mundial de boxe. Se questionado sobre sua maior conquista, porém, Popó não hesita em colocar à frente dos títulos as realizações pessoais em prol de sua família como, por exemplo, a transformação na qualidade de vida dos pais, fruto de seu sucesso como lutador profissional.

Em entrevista ao Santander Universidades, Popó revela suas estratégias para nocautear a pobreza, fala sobre sua relação com o dinheiro e também revela os golpes que sofreu ao escorregar algumas vezes nas finanças. Confira, abaixo, o bate-papo com o boxeador.

Santander Universidades – O que o dinheiro significa para você?

Popó – Em alguns momentos o dinheiro pode ser bastante significativo, mas não resolve todos os problemas. Por exemplo, posso ter o melhor seguro-saúde e estar amparado pelos melhores médicos, mas se não souber o quanto é importante cuidar de minha saúde, valorizando o trabalho destes profissionais, o dinheiro não serviria de nada. Confesso que mudou muito a vida da minha família, porém o valor não está na matéria e, sim, na maneira como ele foi empregado. O dinheiro não é tudo, mas foi tudo.

Santander Universidades – Qual é sua relação com o dinheiro? Você se considera, desligado, consumista, estratégico ou econômico? Quais os pontos positivos e negativos desse perfil?

Popó – Econômico não sou. Egoísta muito menos. Estrategista…um pouco. Dentre todas minhas características, acredito ser muito solidário. Sei muito bem o que é viver na miséria e não ter um prato de comida para comer. Por isso, não meço esforços para ajudar e ver a felicidade dos outros. O meu talento, junto com a força de vontade e a esperança, me trouxeram muito dinheiro. Mas nunca lutei pensando em dinheiro, apenas em mudar de vida. Isso eu já alcancei. Então por que não ajudar àqueles que têm esse mesmo sonho?

Santander Universidades – Você costuma cuidar do seu dinheiro? De que maneira faz isso?

Popó – Essa responsabilidade deixei nas mãos da minha esposa, que, além de ser de total confiança, é administradora formada e pós-graduada, ou seja, está preparada para lidar com o tema. Mas é claro que participo de todas as decisões.

Santander Universidades – Qual foi a sua grande sacada com o dinheiro?

Popó – Comprei uma imóvel e o aluguei para um banco. Um investimento que terá um retorno pelos próximos dez anos, quando o contrato está programado para vencer. Além de pagar todas as minhas dívidas com esse dinheiro, ainda sobra um pouco para investir em novos negócios. Uma outra estratégia que tem me trazido bons retornos é o investimento em salas comerciais.

Santander Universidades – E a sua pior burrada?

Popó – Por gostar muito de carros, já fiz algumas loucuras que acabaram resultando em prejuízo. Nada muito sério. Hoje, aprendi a me controlar mais, embora volta e meia ainda caia em tentação. (risos)

Santander Universidades – Com que você sente mais prazer em gastar?

Popó – Comida para os outros. Não tenho dó em gastar para montar cestas básicas para famílias carentes. Sei que esse dinheiro será muito bem aproveitado, muito mais do que se gastasse com roupas ou qualquer outra coisa. Agora, quando gasto comigo, gosto de comprar óculos, relógios e tênis, mas nunca de maneira descontrola.

Santander Universidades – O que te faz perder o controle financeiro?

Popó – Não consigo pensar em nada que me faça perder o controle financeiro. Sou uma pessoa controlada, além do mais, minha esposa é uma boa administradora. Antes de fazer qualquer coisa com o dinheiro, falo com ela, penso e analiso a situação.

Santander Universidades – Você costuma pechinchar antes de comprar um produto?

Popó – Muuuuito. Antes de comprar qualquer produto faço uma pesquisa e ainda coloco uma pressão. Como não pago nada com cheque e com cartão de crédito, o poder de negociação é maior.

Santander Universidades – Costuma dar gorjetas? Em quais ocasiões isso acontece?

Popó – Faço muito isso. Em restaurantes, como já pago os 10 % dos serviços de mesa, não costumo dar gorjetas diretamente aos garçons, mas quando alguém me ajuda com as malas em um hotel ou presta algum serviço extra eu costumo retribuir com gorjetas.

Santander Universidades – Você pensa no futuro? O que faz para se prevenir?

Popó – Penso muito. Até porque a minha carreira de boxeador tem validade. Por isso, acabo de lançar a minha própria marca – 32ko -, em que vendo alguns produtos com minha assinatura. Além disso, também invisto em imóveis.

Publicado em 18/02/2008

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