Síndrome do Pânico


Síndrome do Pânico

Entenda a doença e saiba como tratá-la

Por Adriana Toledo

Rapaz assustado

O que é?

Súbito, do nada, brota o terror. Foge ao controle. Completamente. Falta o ar. O corpo… vamos, mexa-se. Não se mexe, só treme. O coração dispara. Sufoco. Lá vem a morte, lá vem a morte a mente não pára de repetir. Daí, aos poucos, a cabeça se cansa de girar, o nó no peito se afrouxa, o suor escorre como se fosse levar embora o pesadelo. E tudo parece passar. Mas passa mesmo? Para quem vivenciou uma única crise dessas, a resposta pode ser não. Fica tatuado na alma o medo de que tudo volte, como da primeira vez, a acontecer.

Em 1895, esse quadro foi descrito por Sigmund Freud (1856-1939), o fundador da psicanálise, como neurose de angústia, caracterizada pela ocorrência de quatro ou mais dos sintomas descritos no parágrafo anterior. Náusea, diarréia, formigamento e calafrios também entrariam na lista do doutor Freud. Para surgir, a crise não depende de um fator externo, diz a psiquiatra Albina Torres, da Universidade Estadual Paulista, a Unesp, em Botucatu, no interior de São Paulo. Dura em média 20 minutos, com o pico de desconforto lá pelo décimo minuto. Depois, vem a ressaca: dor de cabeça, aumento transitório da pressão arterial, taquicardia e o sentimento de devastação psíquica.

De acordo com o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ataques isolados são mais comuns do que a doença propriamente dita. Só que de 2 a 3% da população em geral desenvolve a síndrome, que é a forma crônica do pânico. Depois da primeira experiência, o paciente passa a temer um novo ataque de terror. Por isso, evita dirigir ou sair sozinho, exemplifica Albina Torres. Sem contar que vive visitando o hospital para checar seja lá o que for, com medo de ter alguma coisa. Sem querer, pode disparar, então, um ciclo de crises recorrentes, completa a médica.

Possíveis causas

As últimas notícias sobre as causas da síndrome vêm da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos. Os cientistas entrevistaram 239 pessoas que enfrentaram traumas graves ao longo da vida. Nem todos tinham pânico e, nos que tinham, parece que não foram os traumas os grandes gatilhos. A maior predisposição estava naqueles excessivamente ansiosos e nos indivíduos muito preocupados com o próprio corpo, revela Anka Vujanovic, autora do estudo.

Existem hiatos nas explicações sobre o que acontece no organismo em plena crise. O que sabemos é que, diante de uma ameaça, nós liberamos hormônios como cortisol e adrenalina, que aceleram o coração, aumentam o aporte de sangue para os músculos e preparam o indivíduo para fugir, lutar, pensar rápido e se defender, explica o psiquiatra Luiz de Mello, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Supõe-se que, no portador da síndrome, esses mecanismos sejam não apenas exacerbados como defl agrados sem razão aparente, diz ele.

A síndrome do pânico é classificada, do ponto de vista psiquiátrico, como um transtorno de ansiedade. Quem sofre de algum outro mal desse grupo, como depressão, fobias ou transtorno obsessivo-compulsivo (que as pessoas conhecem pela sigla TOC), é mais suscetível. Um problema pode ser estopim de outro. Exemplo: alguém com obsessão por limpeza pode ter uma crise ao entrar em um banheiro público sujo.

O pânico pode ser herdado. Quem tem parentes de primeiro grau com a síndrome corre um risco de quatro a sete vezes maior de manifestá-la, afirma Franklin Ribeiro. As mulheres apresentam de duas a três vezes maior probabilidade de sofrer um ataque. Certas doenças também favorecem o medo. É o caso da asma, que parece afetar os tais receptores de carbono do cérebro, envolvidos com alguns dos sintomas da crise. Sem contar a sensação de descontrole sobre o dia-adia que a doença pode gerar. Noto em meus pacientes de pânico alguns traços de personalidade em comum. E um deles é a insegurança, conta Albina Torres.

Não raro, substâncias químicas também têm seu papel nesse pavor todo. Maconha, cocaína, remédios para emagrecer e outros medicamentos usados sem critério podem precipitar as crises em quem é vulnerável. Aliás, 15% dos primeiros ataques são relacionados a drogas, confirma Antonio Egidio. Para agravar, 18% dos pacientes buscam doses de alívio e relaxamento no álcool.

A situação pode ser pior entre os que nem estão sendo tratados. Ou porque evitam enfrentar o problema por constrangimento, preconceito e medo de falar do medo ou porque batem em portas erradas. Ora, os sintomas da síndrome se confundem com hipertireoidismo, insuficiência cardíaca, hipertensão, labirintite, hipoglicemia e até epilepsia. Por isso, o diagnóstico correto às vezes leva um bom tempo.

O tratamento

Após um primeiro ataque, a vítima deveria passar por um clínico-geral e por um check-up, afastando suspeitas de doenças físicas. E então ser encaminhada ao psiquiatra, que conduzirá a terapia ao lado de um psicólogo. O especialista precisa de um tempo para avaliar se é um caso de transtorno crônico ou de ataque isolado. Segundo Luiz de Mello, a síndrome se caracteriza pela ocorrência de três crises mensais, ou apenas uma, mas associada ao medo de sair de casa e outras limitações importantes.

O tratamento deve combinar remédios e psicoterapia. Não há garantia de que um novo ataque não dará as caras durante esse processo. Mas muito pior será desistir. Na hora do pânico, a pessoa deve pensar que tudo irá passar em poucos minutos, fixando nessa idéia como um touro no pano vermelho, mantendo a noção de que não irá morrer, por piores que sejam os sinais físicos. Será difícil. Mas só ela será capaz de apresentar aos seus próprios olhos o mundo real, não tão assustador assim.

Site: http://boaforma.abril.com.br/comportamento/saude-mulher/sindrome-panico-530581.shtml? em 04/01/2011

 

 

 

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One Response to Síndrome do Pânico

  1. byClaudioCHS disse:

    Medo…
    Vontade de dar um grito,
    ou calar-se para sempre
    De ficar parado, ou correr
    De não ter existido
    ou deixar de existir (morrer)
    Não há razão quando a mente não funciona
    (redundante, não?)
    Vão extinguindo-se as questões
    mesmo sem respostas
    Perde-se, neste estágio,
    a vontade de saber.
    O futuro é como o presente:
    É coisa nenhuma, é lugar nenhum.
    Morreu a curiosidade
    Morreu o sabor
    Morreu o paladar
    parece que a vida está vencida
    Tenho medo de não ter mais medo.
    Queria encontrar minhas convicções…
    Deus está em um lugar firme, inabalável,
    não pode ser tocado pela nossa falta de confiança
    Até porque, na verdade, confio nele
    O problema é que já não confio em mim mesmo
    Não existe equilíbrio para mentes sem governo
    A química disfarça, retarda a degradação
    mas não cura a mente completamente
    E não existem, em Deus, obrigações:
    já nos deu a vida, o que não é pouco,
    a chuva, o ar, os dias e noites
    Curar está nele, mas, apenas retardaria a morte
    já que seremos vencidos pelo tempo
    (este é o destino dos homens)
    e seremos ceifados num dia que não sabemos
    num instante que mira nossa vida
    e corre rápido ao nosso encontro lentamente
    (ou rasteja lento ao nosso encontro rapidamente?)
    Sei lá…
    Mas não sei se quero estar aqui
    para assistir o meu fim
    Queria estar enclausurado, escondido…
    As amizades que restam vão se extinguindo
    e os que insistem na proximidade
    são os mesmos que insistirão na distância,
    o máximo de distância possível.
    A vida continua o seu ciclo
    É necessário bom senso
    não caia uma árvore velha, podre, sobre as que ainda estão nascendo.
    Os que querem morrer deixem em paz os que vão vivendo
    Os que querem viver deixem em paz os que vão morrendo
    Eu disse bom senso?
    Ora, em estado de pânico não se encontra bom senso
    nem princípios, nem razão, nem discernimento,
    nem força alguma
    Torna-se um alvo fácil
    condenável pelos que estão em são juízo
    E questionam: onde está sua fé?
    e respondo: ela estava aqui agora mesmo…
    ela não se extingui, mas parece que as vezes se esconde de mim…
    o problema é que, quando a mente está sem governo
    (falo de um homem enfermo)
    é como um caminhão que perde o freio
    descendo a serra do mar…
    perde-se o contato com a fé e com tudo o que há…
    e por alguns instantes (angustiantes)
    não encontramos apoio, nem arrimo, nem chão, nem parede, nem mão…
    ah… quem dera, quem dera…
    que a mão de Deus me sustente neste instante…
    em que viver é tão ou mais difícil que conjulgar todos os verbos…
    porque sou, neste momento
    a pessoa menos confiável para cuidar de mim mesmo…
    tenho medo, medo…
    medo de perder o medo
    de sair da vida pela porta de saída…
    medo de perder o medo
    de apertar o botão “Desliga”…

    http://progcomdoisneuronios.blogspot.com

    .

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